Este blog não tem pretensão resistida, mas tem muito interesse de agir. A sua única coloração processual é o processo de criação do seu autor: não no sentido postulatório, mas ficcional. O surrealismo, o non sense, o febeapá bem brasileiro, nada disso se importa com juízes e órgãos acusadores. Nascido antes da blogosfera, em bancos escolares, no meio de potes de guache, massinhas, aquarelas e a garrafinha de suco de uva, continua mesclado com certa sensação de não pertencimento, um pouco da tontura de um estrangeiro andando na praia sob o sol causticante do meio dia à procura de miniaturas poéticas na areia, uma mistura de Camus com Manoel de Barros – sem qualquer nepotismo.
Becas caminham pausadas num salão austero, o Cristo pregado na parede quebra o gelo e desdenha da Constituição, que prega o Estado laico. A atmosfera é cinza, seguranças alinhados de terno preto, fones de ouvido nas orelhas, garantem a higienização de toques dos celulares. Dentro e fora só o ar parado, mas sempre gelado. Os sinos tocam, sombras pretas adentram o enorme plenário vazio e choram diante da ausência do pipocar de luzes do fotógrafo lambe-lambe, que perambulava, em épocas douradas, por todos os cantos do salão – ele não está mais entre nós. Não se sabe se é 1984, 2010 ou um outro planeta, atemporal na infinitude de tudo o que está além daquele globo terrestre postado em cima da mesa do menino, o cabelo escorrido penteado de lado, o sorriso mirando a lente da máquina fotográfica, uma caneta em pé ao lado e, ao fundo, o mapa do Brasil em tamanho gigante.
O mundo visto das tintas e dos papéis, telas finas LED de catorze ou quinze polegadas, pendrives, um mundo pensado sobre carpetes vermelhos, relembrado às vezes em círculos regados a uísque, canapés de camarão e lembranças e risadas da última viagem a Paris. Subo à tribuna suando, as pernas tremulas, o coração a mil; como questão de ordem, levanto a possibilidade de uma viagem a Paraisópolis, as latarias brilhando sob a lua cheia (essa imagem roubei de um haicai de Lyad de Almeida, juiz do trabalho aposentado: a luz da lua/faz das latas dos barracos/finas pratarias). Seguranças voam no meu pescoço, algemas ferem o meu pulso, num átimo estou numa sala 2x2, aguardando admoestação do senhor presidente.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
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Caro Marcos,
ResponderExcluirA loucura não faz o meu gênero - prefiro andar de blugue pelas praias da Juréia. Mas, de qualquer modo, parabéns pelo blog. Apareça de vez em quando por estas blagas,
Abs,
Magrão